Bate-Bapo Com O Cantor Pélico

By Gabriela Ramalho

O cantor Pélico lançou seu segundo álbum, “Que Isso Fique Entre Nós”, no ano passado, e colecionou boas críticas além de respeito e admiração no cenário musical brasileiro atual. Apesar da poesia de suas músicas, a maioria delas retrata a realidade e induz reflexões. Nós conversamos com ele sobre suas origens, inspirações e influências. E o cantor ainda falou sobre sua relação com a internet, meio em que suas músicas foram disseminadas. Veja a seguir.

Como você se envolveu com o mundo da música? Foi sempre algo presente em sua vida?
Pélico: A música está presente em minha vida desde a infância. Meu avô era músico e minha lembrança musical mais remota é meu avô tocando com os amigos. Ainda criança, ele me deu um violão e de lá pra cá nunca mais o larguei. Tive algumas bandinhas, mas, profissionalmente, minha carreira começou em 2001, quando gravei meu primeiro EP.

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Como surgiu o conceito para o novo álbum?
Pélico: Surgiu da vontade de deixar um pouco de lado as guitarras e usar alguns instrumentos que estavam fazendo minha cabeça na época, tipo fagote, tuba, clarinete e trombone. Não sabia exatamente como ficaria, mas logo que as canções foram surgindo, eu percebi que essa sonoridade mais delicada cairia muito bem. É muito gratificante quando os desejos coincidem com os fatos. 

Apesar das músicas serem compostas por vários instrumentos e sonoridades, sempre há um tom de simplicidade encontrado em cada uma delas. Essa sensação é algo proposital?
Pélico: Sim, eu e o Jesus Sanchez (produtor do disco) tivemos esse cuidado. Queríamos uma diversidade sonora, instrumentos que tivessem um papel importante, mas que não se sobressaíssem à canção. Tudo ali é a favor da canção, nosso grande desafio foi encontrar essa simplicidade, e acredito que alcançamos. 

Quais são suas principais influências?
Pélico: Musicalmente, fui influenciado por vários compositores em fases diferentes da minha vida. Pra lista não ficar muito extensa, vou escolher alguns: Cartola, Lulu Santos, Roberto Carlos, Tom Zé, Mutantes, Beatles, Guilherme Arantes, Paralamas do Sucesso, Luiz Melodia, Rafael Castro, Nirvana, Caetano Veloso, Ataulfo Alves, Itamar Assumpção, Lupicínio Rodrigues e até o Slash (risos).
A literatura me influencia muito também, sou apaixonado por Mia Couto, Nelson Rodrigues, Kafka, Fernando Pessoa, Caio Fernando de Abreu e Neruda. 

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O que te inspira como compositor? Suas músicas são sobre sua vida, coisas que você vê ou vive…?
Pélico: Uma cena de um filme, uma frase do Mia Couto, uma melodia do Tom Zé, uma conversa de bar, minhas faltas, um almoço de domingo com a família. Enfim, muita coisa me inspira. Gosto de histórias, não só as minhas, mas quando vou compor, sempre acabo metendo o bedelho na vida alheia. 

Qual sua relação com a internet? Suas músicas são muito divulgadas via online. Como você acha que isso interfere no cenário musical atual?
Pélico: Quando comecei minha carreira, a internet era uma novidade, um deslumbramento só. Com o tempo, aprendi que a internet é uma grande ferramenta de divulgação e que precisa também de conteúdo de outros veículos pra alimentá-la. Mas é óbvio, a internet mudou a forma de comercializar, divulgar e ouvir música. Minha relação com isso é boa e de aprendizado diário. Hoje eu tenho uma pessoa que me ajuda nisso, porque dá um trabalho danado.

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E o que podemos esperar para os próximos trabalhos e projetos?
Pélico: Estou produzindo, com o Jesus Sanchez, o primeiro disco do cantor Toni Ferreira. Canto no novo disco da Bárbara Eugênia uma música que fizemos em parceria, que deve ser lançado logo mais. Participo do disco “Coitadinha, Bem Feito”, no qual 17 cantores interpretam músicas de Ângela Rô Rô, que também deve ser lançado nos próximos meses. O site Musicoteca vai relançar o meu primeiro disco “O Último Dia De Um Homem Sem Juízo”. E já estou matutando meu próximo disco.

Enquanto não chega o disco novo, escute a música “Não Éramos Tão Assim”, do álbum “Que Isso Fique Entre Nós”.


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