Bate-papo com Sarah Chofakian
Sarah é criadora de uma das melhores marcas de sapato do Brasil. Ela se preocupa muito com a qualidade e estilo do produto final, mas o que faz seus sapatos se destacarem no mercado é a capacidade deles de transmitir a personalidade de quem os usa.
“O sapato, na minha opinião, é uma das peças mais importantes na moda. Você pode vestir uma roupa muito básica, mas o sapato é o que passa o estilo e o que tem por trás daquela história pessoal”, conta ela.
Mistura de objeto de conforto com peça de arte, ela se inspira na psicanálise, cinema e outras intelectualidades para ajudar mulheres a mostrarem quem realmente são. Confira a entrevista que fizemos com ela abaixo:
Por que sapatos?
Sarah Chofakian - Eu tenho uma ascendência armênia e, por natureza, os armênios tem um interesse muito grande na área de couro. Fora isso, eu fui influenciada em moda porque os meus avós e os meus pais sempre tiveram lojas. Meus avós, inclusive, sempre trabalharam com um produto seletivo. Eu também puxei o lado criativo da minha mãe, que é artista plástica. Acho que tudo isso ajudou na minha formação.
E a paixão por eles?
S. C. - Em relação a isso, eu sempre tive paixão por sapatos. Não sei por quê, mas, de todos os produtos que existiam na loja dos meus pais, eu sempre ficava no corredor dos sapatos. E sempre gostei mais desses sapatos manuais, feitos à mão, etc.
E o estilo veio da onde?
S. C. - Foi quando eu me formei em Psicologia e Psicanálise que eu tive a ideia de trazer a moda de uma maneira mais intelectual e criativa. E eu percebia que as psicanalistas e psicólogas se preocupavam muito com o estilo, porque era exatamente o que passava a personalidade e a segurança na hora de atuar. Elas estavam na área intelectual, mas não estavam despreocupadas com a aparência. Há 15 anos atrás, quando eu entrei na moda, a maioria das marcas de sapato fazia coisas muito básicas. Daí eu tentei criar um produto que tivesse mais personalidade.
Quem são as mulheres que usam a marca?
S. C. - Normalmente, são mulheres ativas, independentes, que trabalham muito, querem conforto, mas com um estilo diferente, para passar exatamente essa personalidade através do que vestem. São pessoas que não tem tanto tempo, mas querem estar bem vestidas confortavelmente.
Por que se inspirar no cinema? Da onde surgiu a ideia?
S. C. - Esse é o último tema que está nas lojas: as divas de Woody Allen. Já trabalhei com cinema, artes, etc. Woody Allen, pra mim, é uma figura extremamente intelectualizada e de muito bom gosto. Eu admiro muito o trabalho dele, me identifico muito com os filmes e as personagens. Foi aí que eu me encantei e falei que queria fazer uma coleção.
O que mais gostou ultimamente?
S. C. - Eu estou num momento bem envolvido com arte. Eu tenho visitado muitas galerias e museus. Isso me influenciou até na escolha de fazer a loja no JK com os irmãos Campana. Eu fiquei pensando em quem convidar dos brasileiros para criar essa minha nova loja. Eu precisei definir alguém que estivesse muito envolvido com arte. Eu acho que as marcas de moda estão muito repetitivas, então isso traz pouca inspiração.
Quais são os próximos planos?
S. C. - Meu primeiro plano é investir bastante em equipe, então estou trazendo pessoas que são tão apaixonadas pela marca como eu. Um segundo plano é a internacionalização da marca. Então, eu estou participando de duas feiras importantes da moda internacional que é a Première Class e a Micam. Existe também a possibilidade de abertura de um espaço de varejo na Europa. Talvez em dois anos.


