Better Know a Blogger: Enjoei
A Enjoei surgiu como uma solução para aqueles objetos no armário que você não usa mais.
A ideia nasceu em 2009, ainda que muito mais como uma revolução do armário do que um site. Hoje é um business bem pessoal, que revela uma tendência comum: moda sustentável e proximidade com o consumidor.
Conversamos com um dos idealizadores, Tiê Lima, que, junto com sua esposa, Ana Luiza Mclaren, ajudam “enjoados” a revender objetos outrora tão desejados, mas que agora estão em algum canto perdido, sem uso. Confira abaixo:
De onde vocês tiraram essa ideia?
Tiê Lima - Eu e Ana ainda não éramos casados, mas eu passava muito tempo no apartamento dela. Isso foi em 2009. Um dia, uma tarde de sábado, eu vi ela jogando um monte de roupa na sala. Eu pensei: “Será que eu estou sendo mandado embora?” (risos). Mas não. Não eram roupas minhas, eram dela. E ela falou: Não quero mais saber disso, enjoei desse negócio todo”.
E a criação do site? Começou como?
T. L. - Ela perguntou: “Vê se tem aí na internet o domínio enjoei.com.br?”. Naquele mesmo dia, eu comprei e a gente fez um blog. Daí ela tirou fotos, escreveu um texto bacana e começou a enviar para as amigas, que enviaram para outras amigas e assim por diante. No dia seguinte, ela já tinha vendido tudo e estava tentando vender coisas de outras pessoas. Pensamos o por quê de ninguém estar fazendo isso em outros lugares e daí resolvemos deixar mais profissional neste ano.
O que está por trás disso?
T. L. - A ideia por trás é dar um fim justo para aquilo que você gosta, mas não usa mais. Porque as coisas que as pessoas enjoam costumava ser especial de alguma forma, então ao repassar isso para outra pessoa, elas se sentiam bem. Porque daí não está indo para qualquer lugar.
É uma nova tendência?
T. L. - Eu acho que é um desejo que sempre existiu nas pessoas. Quando você sabe que pode dar um fim mais legal para aquelas coisas que não está usando, o consumo passa a ser mais sustentável. Então, existe o prazer da compra que todo mundo tem, mas tira um pouco da culpa do consumismo. Você entra no ciclo do consumo de uma maneira mais natural.
O que é levado em conta na hora de selecionar um objeto?
T. L. - Em primeiro lugar, a pessoa conta uma história do produto. O objeto também tem que ser encantador: se é uma luminária super legal, se é um videogame antigo ou também pode ser algo que acabou de sair, mas ninguém comprou. Então a gente vê a história e também se atenta aos detalhes técnicos como a qualidade da foto e o preço que a pessoa está colocando.
Mas corre o risco de ter coisas falsas?
T. L. - Então, se a pessoa entrar aqui, comprar algo que se dizia verdadeiro, mas era uma réplica, a gente devolve o dinheiro pra quem comprou e devolve o produto pra quem vendeu. Essa pessoa também não poderá mais vender em nosso site.
Se pudesse vender um objeto famoso, artigo de luxo ou arte, qual seria ou de quem seria?
T. L. - A gente adoraria vender as coisas de Betty Lago. Achamos que o humor dela tem muito a ver com o nosso site. O armário dela também deve ser chiquérrimo e super original.




