Meet Your Mixologist: Talita Simões de The Sailor
Mesmo trabalhando em um ambiente masculino e sendo considerada a maior mixologista da América Latina, a bartender Talita Simões é dona de uma voz doce e foi muito cordial e atenciosa na entrevista exclusiva que concedeu ao Société Perrier.
O último grande reconhecimento de Talita aconteceu em 2011, com o coquetel “Orient Express”. Ela se classificou no DIAGEO World Class, uma das maiores competições de mixologia do mundo. Já foi sócia do bar At Nine e hoje trabalha como mixologista no The Sailor, um pub especializado em coquetéis. Ela nos contou um pouco sobre sua vida e, é claro, muitas doses de bebida.
1. Da onde veio a vontade de ser bartender?
Talita Simões - Desde quando comecei a trabalhar em Londres como garçonete, quando entrei para a área de alimentos e bebidas, sempre quis ficar atrás do bar. Quando pequena, sempre gostava de brincar com cores e líquidos coloridos.
2. Você já declarou que o Dirty Martini é seu drink predileto. Ainda é esse? Por quê?
T. S. - Ainda é, sim. Gosto do simples, seco e perfeito. Quem faz um dirty martini perfeito, sabe o que está fazendo.
3. Qual é a bebida que é a cara de São Paulo?
T. S. - Acho que São Paulo tem cara de dirty martini, por incrível que pareça. A taça dry é meio nebulosa, chique e para quem realmente ama.
4. Você disse que tem facilidade para improvisar. Quais bebidas alcoólicas são mais difíceis de misturar? E as mais fáceis?
T. S. - Gosto muito de improvisar com tudo. Adoro desafios. Mas as bebidas com muita personalidade não são as mais difíceis, mas sim que falam por si só. A cachaça e o whisky, por exemplo, têm muita personalidade e têm que ser misturadas com poucos ingredientes, para ter o equilíbrio que lhes merece.
5. Como você se inspira para criar drinks novos? Da onde você tirou a ideia do Orient Express, por exemplo?
T. S. - Inspiro-me quase sempre em histórias, pessoas e situações. A ideia do Oriente [Express] foi inspirada na vontade de vender, ir a Índia competir e desconstruir o Gin Tanqueray 10.
6. Você já participou do DIAGEO WOLRD CLASS antes. Você está competindo este ano?
T. S. - Não estou. Acredito que quem vence uma vez tem que dar a oportunidade para outros de vencer e ver o que é o mundial, que é simplesmente incrível e o maior desafio que já enfrentei. Fui convidada pelo fundador do concurso para ser a líder dos bartenders que irão tomar conta das etapas junto aos gurus.
7. Esse ano a final será no Brasil. Como é a mixologia no nosso país?
T. S. - Fui ao campeonato e acho que, no ano passado, a concorrência estava melhor. Estamos em um estágio médio, ainda há alguns anos atrás para vencer o mundial.
8. Como é trabalhar no The Sailor? Como foi o processo de criação do Menu de cocktails?
T. S. - É muito bom trabalhar em uma casa onde todos os sócios já foram bartenders e acreditam em meu trabalho. Porém, ainda está sendo um grande desafio fazer o público entender que somos um PUB com o diferencial dos coquetéis.
9. Se você tivesse uma garrafa de Perrier e mais 4 ingredientes agora. O que teríamos para beber de interessante?
T. S. - Purê de frutas vermelhas, xarope de maracujá vermelho, limão siciliano, gotas de grapefruit e Perrier.
10. Qual é seu próximo desafio como bartender?
T. S. - Estou começando uma empresa de eventos em sociedade e temos como foco, além de atender eventos “reserve”, abrir uma escola de capacitação, cursos e consultorias. Primeiro, começaremos em bares de São Paulo e, depois, no Brasil. No momento, também dou consultoria a mais uma casa em São Paulo e existem mais uns grandes projetos para fim de 2012, mas ainda é segredo.

