Nova promessa do mundo das artes: Maria Carolina Ávila
Amante de Hélio Oiticica e Francis Alys, a artista plástica Maria Carolina Ávila já estudou em Londres, trabalhou com arte de rua no mítico Alto Paraíso – Goiás e escreve poesia. Ela diz não saber ainda que tipo de base tem a sua arte, mas que, com certeza, está estritamente ligada a sua vida. Carol contou para nós um pouco sobre o seu trabalho e seus próximos planos.
Você trabalha com o que exatamente?
Maria Carolina Ávila - Na verdade, eu faço de tudo. São pinturas, colagens e muitas outras técnicas, ainda que a base seja sempre a pintura mesmo. Eu poderia chamar de assemblagem. Até inventaram um apelido para as minhas obras que chama “Carolagem” [risos], porque eu faço bastante colagem e daí ficou a brincadeira de faculdade.
O que te levou a fazer isso?
M. A. - Eu acho que a única coisa que eu consigo responder é que desde muito nova eu sempre fui uma pessoa criativa. Eu sempre gostei de desenhar, pintar e até de inventar coisas. Eu não acho que comecei minha carreira artística porque eu tinha o domínio de alguma técnica, mas muito mais porque eu estava com a cabeça borbulhando de ideias e não sabia o que fazer com tudo aquilo.
Quais foram as suas principais referências artísticas?
M. A. - Desde muito nova eu admirei o Hélio Oiticica. Eu acho que ele foi uma das minhas grandes referências. Não só ele como o Artur Barrio e o Francis Alys que são artistas que trabalham essas questões de arte-vida, de misturar coisas da rua, etc, fazendo uma miscelânea de coisas da vida na minha arte. Além disso, eu morei em Minas, então eu sempre tive muito contato com a arte barroca. Eu acho, inclusive, que meu trabalho é um pouco barroco, porque é bem exagerado e um pouco dramático.
O que você pretende discutir com o seu trabalho?
M. A. - Eu acho que nenhum artista tem totalmente a resposta para isso, mas eu trabalho muito com as questões da minha experiência no mundo. Experiência de vida mesmo: de andar na rua, conhecer as pessoas, uma relação de arte-vida mesmo. Eu tento aproximar o máximo que eu posso.
Que experiências influenciaram os seus últimos trabalhos?
M. A. - Nos meus últimos trabalhos, eu estou bem influenciada pela arte urbana, pela pichação de São Paulo, pela caligrafia que os pichadores inventam, etc. Então, eu até fiz bastante coisa da rua: lamb-lamb, stencil. Eu, inclusive, faço parte de um grupo de stencil que chama Space Brothers. Tanto que nos meus últimos trabalhos tem bastante coisa escrita, informação e coisas que eu escrevo. Eu também escrevo poesia, então eu tento trazer isso pra minha arte.
E como está sendo a entrada no mercado de artes?
M. A. - Eu acho que a função da arte é fazer um trabalho para o mundo. Mais do que ir para uma galeria ou ir para a casa de alguém. Então, eu estou tomando consciência ainda da galeria e da importância que tem o mercado da arte. Só agora eu comecei a me dar conta, vou ser bem sincera. Estou indo bem devagar.
Qual o próximo passo?
M. A. - Eu pretendo fazer uma outra exposição daqui alguns meses com um amigo e estou começando a comercializar só agora. Até tenho um colecionador que se interessou bastante pelo meu trabalho. Estou vendo essas coisas de galeria e qual delas eu me encaixo. Eu também acho que não pode ser qualquer galeria que eu deva aceitar. Então, eu estou indo bem devagar, porque eu gostaria de fazer parte de um lugar que tivesse o meu perfil também. Gostaria de ter liberdade de fazer uma exposição a minha maneira.


